sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

COMO MUDAR DE VIDA

O que você acha que mudaria a sua vida para melhor? 


Suponhamos que você seja uma pessoa que gostaria de mudar de vida, que não está totalmente satisfeito com a vida que leva.

Mais dinheiro?

Mas quem tem bastante dinheiro pode ainda estar necessitando de algo para que a sua vida fique melhor, na maioria das vezes algo que o dinheiro não pode comprar, como saúde, paz, amor, cumplicidade, sinceridade.

Mais tranquilidade? Uma autoestima melhor? Uns quilinhos a menos? Mais músculos? Um amor?

O que muda a vida de uma pessoa para melhor pode não ser o mesmo que o outro queira para a sua vida. As prioridades das pessoas são diferentes e cada momento na vida de uma mesma pessoa traz contingências diferentes. 

Para mudar de vida há duas coisas que você deve fazer antes de começar qualquer empreitada de mudança.


1 - Você precisa saber como está a sua vida atualmente, fazendo uma avaliação sincera e destemida. Isso é para criar consciência de onde você está partindo.

2 - Faça uma avaliação de você mesmo, você precisa se conhecer, saber realmente o que quer, que tipo de vida quer ter, em detalhes, porque quando não se sabe onde se quer chegar, qualquer lugar serve.

Feito isso, comece então a agir da seguinte forma.


1 - Estabeleça objetivos claros, estes são os objetivos maiores que você deseja alcançar, alguns até de longo prazo. Por exemplo: “daqui um ano quero estar morando no Canadá”.

2 - Estabeleça pequenas metas que o levem aos seus objetivos e vá cumprindo uma a uma. Por exemplo: “fazer meu passaporte”; "providenciar o visto"...

3 - Manter o foco é muito importante, mas não esqueça do caminho, ele às vezes é mais importante do que o lugar onde você quer chegar. Desfrute do caminho com prazer, alegria e satisfação.

4 - Não se deixe dominar pela procrastinação nem tampouco pela ansiedade. Quer dizer: não se atropele, não se violente, mas também não fique deixando tudo para depois.

5 - Ninguém é uma ilha nem super-homem ou “supermulher”, conte com as pessoas, crie uma rede de relacionamentos e deixe que te ajudem. Não tente fazer tudo sozinho ou sozinha.

6 - Assuma esses compromissos com você mesmo e cumpra.

7 - Metas não cumpridas e objetivos não alcançados também existirão. Ninguém é infalível e a vida nem sempre nos leva por onde queremos ir. Você é humano e vai errar, não se martirize por isso, levante a cabeça e tente de novo sem carregar culpas. As outras pessoas irão errar com você, elas são humanas como você, não as condene.

8 - Algumas coisas darão errado, sim. É assim com todo mundo. Então aprenda a revisar seus planos, corrigir rotas e continuar. Dizem que o inventor da lâmpada elétrica tentou 1999 vezes até conseguir, na próxima. Então ele fracassou 1999 vezes, se tivesse desistido depois de 1900 tentativas talvez estivéssemos no escuro até hoje.

9 - Não se compare com ninguém nem se deixe prender por tradições e costumes. Se não deu certo com o outro ou se ninguém fez isso ainda, isso não significa que você não pode fazer.

10 - Cultive pessoas, amizades e respeito. Trate bem as pessoas, ajude os outros, se doe. Sem isso não se pode ir muito longe.
Mas têm coisas necessárias para que toda e qualquer vida seja boa. E estas coisas não são coisas e não são pessoas também.

Há um estado de plenitude, de satisfação interior, que não depende de nenhuma circunstância, de nada de fora de nós, é de dentro.

Quando queremos mudar nossa vida para melhor buscando em coisas e pessoas, fora de nós, frequentemente nos frustramos, nos decepcionamos e quando ficamos satisfeitos, esse sentimento não dura muito, é passageiro, fugaz.

Cultivar relacionamentos e cooperação é muito importante, mas isso não significa depositar nas coisas e pessoas toda a nossa satisfação e realização pessoal. Entre outros problemas, isso sobrecarrega nossos semelhantes.

Por exemplo: “serei plenamente feliz quando eu casar com fulana ou fulano, quando eu tiver aquele emprego ou aquele carro”.

Esta não é a melhor maneira de buscar felicidade, porque estaríamos apoiando toda a nossa estrutura no que não depende de nós. O outro não está nem deve estar sob nosso controle, portanto pode tomar o rumo que quiser.

Já que falei de felicidade, vale lembrar que felicidade não significa ausência de problemas ou dificuldades, mas um preparo pessoal para passar por tudo com serenidade, paz interior, tranquilidade e equilíbrio. 

Felicidade está mais ligada ao amadurecimento, não à idade, mas à maturidade como ser humano na terra e a um estado de alma.

Outro alerta que faço sobre a felicidade é o discurso social, disseminado hoje em dia, de que “o que importa é ser feliz”. Este discurso não está fazendo bem às pessoas nem à sociedade.

Alguns acabam interpretando que para ser feliz, então, vale tudo, e isso leva ao caos, ao desastre e não à felicidade. Cria uma pressão insuportável, coloca a felicidade como ela não é e alimenta um egocentrismo perigoso.

Grosso modo, alimentamos nosso corpo físico com comida, água e oxigênio.  E vida é diferente de existência, então 

viver é diferente de apenas existir
Nosso corpo existe, mas nossa vida é

Nosso corpo está no tempo e no espaço, então passa pelo processo de nascimento, crescimento e morte, mas a vida não, a vida só é.

Como se alimenta a vida?

Com relacionamentos, com amor, com beleza, com harmonia, com força, coragem, doação, contemplação, arte, com paz e outros tantos alimentos deste gênero.

Quer mudar de vida? Então alimente a vida.






segunda-feira, 7 de janeiro de 2019


SUCESSO PARA PROFESSORES

O que é ter sucesso para você? 

Esta é uma das perguntas que você deverá responder para si mesmo. E para te ajudar a chegar nesta resposta, vou contar uma história. 

 Eu não sou um professor famoso, eu não sou um professor rico, portanto não sou um professor de sucesso. Certo?  
Não. 
Errado. 
Veja o porquê.
 Eu entrei no curso de letras aos 29 anos, quando trabalhava de ajudante de pedreiro. Logo no início da graduação, meu segundo casamento acabou e eu passei a dar metade do meu salário para a filha do primeiro casamento e a outra metade para meu filho do segundo casamento. Para sobreviver, pagando aluguel, eu vendia todos os meses meu vale refeição e o vale transporte. Nesta época cheguei a ficar 36 horas sem comer, fazia meus trabalhos manuscritos por não ter computador nem tempo para usar o laboratório de informática da universidade. Eu andava longas distâncias a pé. Da Universidade até o shopping em que eu trabalhava, por exemplo, eram 7 km e, como eu morava perto da universidade, fazia 14 km caminhando praticamente todos os dias.
No segundo ano de curso, meu filho de 6 anos passou a morar comigo. Comecei a lecionar também nesta mesma época em uma excelente escola particular, das melhores do estado, estabelecida em Florianópolis. Antes de terminar o curso, meu pai faleceu e mudamos para a cidade onde meus pais moravam. Meu menino ficava sob os cuidados da minha mãe e eu passava a semana toda em Florianópolis, a 224 km de distância, para terminar minha faculdade. Isso levou um ano inteiro e nesta época cheguei a dormir na rua por não ter dinheiro para me hospedar e quase nada para a alimentação.  Depois de muitos outros percalços e sérios problemas de saúde, e também depois de ter superado todos eles, aqui estou eu.  

Então, sou um professor de sucesso ou não sou?  
Minha resposta é que sim, eu sou, porque a minha visão de sucesso é esta que acabei de lhe contar, marcada por superação. Fui professor naquela primeira escola por 5 anos e, depois que me formei na graduação, fui professor em outra grande e famosa instituição de ensino.
Descobri a duras penas o que tem maior valor para mim. Sentir que faço o melhor trabalho que posso, de acordo com as minhas convicções, e receber um retorno positivo dos alunos, isso não tem preço para mim, tem valor. Então, estes são os meus critérios, que definem sucesso para mim.  

Que tipo de sucesso você quer ter? 

Para alguns, a definição de sucesso pode ser outra, pode ter a ver com dinheiro e fama. Neste caso, a visão de educação e de professor deve estar alinhada ao sucesso que se pretende alcançar. Novamente eu reforço, não há melhor nem pior, certo ou errado, mas é necessário para o seu sucesso, seja qual for, que você tenha estas definições claras para si, para a sua carreira, conforme os seus sonhos e objetivos. 
Mas não esqueça de que um professor não é bom porque ganha bem, ele ganha bem porque é um bom professor. Ele não é bom professor porque é reconhecido, é reconhecido porque é um bom professor. Ele não é um bom professor porque tem sucesso, tem sucesso porque é um bom professor.  

Descobri que o meu perfil é aquele que não suporta trabalhar de forma que se sinta traindo as próprias convicções, isso me adoece, me desestimula, não importa quanto dinheiro ou fama eu esteja ganhando. Mas se a fama e o dinheiro forem minhas convicções, igualmente terei que viver de acordo com elas. 
Um grande obstáculo, talvez o maior de todos, para se alcançar a realização profissional e a satisfação pessoal é a pessoa não saber, não ter definido para si quais são as suas convicções, quais são os objetivos na vida e na profissão, qual é o seu perfil pessoal e profissional. 
Sem isso se vive como um lenho seco no mar, ao sabor das marés, levado pra lá e pra cá. Quem pode se sentir realizado assim, se não tem o que realizar? 
Dizem que para quem não sabe onde quer chegar, qualquer lugar serve. Aí, nesse caso, como definir o que é sucesso? 
Defina qual é a sua concepção de educação, que tipo de professor você quer ser, onde quer chegar, e faça acontecer esse projeto. Se conseguir, seja ele qual for, então você pode dizer que teve sucesso. 

sábado, 5 de janeiro de 2019

QUE EDUCAÇÃO É ESSA?


Você, professor, tem o conhecimento, mas está vendendo seu tempo, suas horas, seus dias, sua vida? 




Peço desculpas aos meus colegas professores, mas vou fazer um pouco o papel do advogado do diabo neste artigo.

A intensão não é ofender nem desmerecer nosso trabalho, é só incomodar mesmo, porque o que é cômodo pode não ser muito produtivo nem transformador.


Espero provocar perguntas, questionamentos e indignação. 

Educação, ao meu ver, de educador, é uma ciência, uma disciplina acadêmica, uma área de pesquisa e uma prática, que deveria contribuir para a formação profissional, científica e cidadã, ajudando a construir uma sociedade melhor para o mundo.  

Deveria contribuir para a construção de uma sociedade humana em que se pudesse viver dignamente, feliz e em comunhão, sentindo-se seguro e realizado.

É assim que é?

Ao que me parece, a escola e a família deveriam ser os lugares privilegiados da educação, aquela que ajuda as pessoas a serem melhores, para si e para o meio. Mas nem uma nem outra e nem mesmo a religião estão dando conta de fazer esse papel. Salvo raras exceções.

Chego a esta opinião ao olhar para o lado, ao meu redor, para o mundo em que vivo, para a vida das pessoas e para as relações sociais físicas e virtuais.

E você? 
Consegue ver?  
Consegue enxergar além das aparências e dos discursos? 
Consegue ver por baixo das máscaras?

Chego a me perguntar se a escola faz mais bem ou mais mal para as nossas crianças e jovens hoje em dia.

Eu sei que há um pudor enorme com relação à escola e falar contra ela ou questioná-la é quase um sacrilégio, mas aquilo que não se repensa, que não se critica e renova, tende a mofar e a escola está ficando com cheirinho de mofo.

É na escola que os diferentes começam a ser massacrados pelo bullying e é para lá que eles têm voltado armados de revolta, desalento e pistolas. 
Não tem sido assim?

A educação escolar não prepara para o século XXI, não ensina as pessoas a lidarem com suas emoções nem com a tecnologia. E o resultado disso pode ser medido pelo movimento das farmácias, dos consultórios médicos e pela corrida aos psicólogos. Pode ser medido, infelizmente, pela saúde mental e emocional das crianças, cada vez mais precária.

A escola não ensina, como diz Edgar Morin, as pessoas a lidarem com a complexidade, a terem uma visão sistêmica do mundo e da vida, não desenvolve uma consciência de espécie, mas prepara para a competição e para a classificação. 

A escola não ensina as pessoas a viverem na atual configuração social.

E o resultado que temos é uma sociedade doente.

Aliás, a escola está conseguindo inclusive adoecer os professores, aí imagine como fica todo o resto. 


Reforma? 

Não. 

Não sei se este sistema pode ser reformado, algumas vezes o melhor é demolir e construir um novo.

Um novo ente de educação erigido no lugar deste que aí está.

Sem pudor. Com utopia, pode ser, mas sem pudor de desconstruir o que adoece, o que não funciona mais.

Ah, sim, serve para ensinar Matemática, Português, Geografia, História e algumas técnicas profissionais. 

Mas que matemática e que português se tem ensinado na escola, que ninguém aguenta mais?

Que profissional a academia está formando que a empresa não consegue aproveitar por falta de habilidades sociais? 

Sou professor de Português e lecionei por muitos anos, e por isso posso afirmar sem medo de errar que o que se ensina nesta disciplina ainda hoje é ridículo.

Com raríssimas exceções, as escolas nem para ensinar a ler e escrever estão servindo mais.

Todas as pesquisas e dados e resultados e experiências comprovam isso.

Então, se não ensina a ler e escrever, não ensina ética, não ensina a lidar com as emoções e conflitos sociais, não ensina a conviver e compartilhar, se não ensina respeito, compaixão e solidariedade, se não ensina a pensar de forma sistêmica e crítica nem a estudar, aprender, desaprender e aprender de novo, serve para quê?

Se não serve ao propósito de colaborar para formar seres humanos melhores para uma sociedade melhor para o mundo, a qual propósito tem servido a “educação”, a escola?

Tem servido ao mercado? 
Tem servido à competitividade?
À seleção? À exclusão?
Tem servido para a programação e encaixotamento das mentes?
Sim, pois a gênese da escola é esta, para isso foram criadas, com este propósito, e a ele ainda servem. Já disse Foucault. 

É na escola que a deseducação acontece. 
E até que alguém tenha coragem de encarar esta realidade, ela continuará deseducando.


Um movimento de pais, de professores e de estudantes em prol da desconstrução deste modelo de educação escolar, bichado, antiquado, inadequado e nocivo, e que ao mesmo tempo construa uma nova proposta de ente educador, para o século XXI, seria, talvez, uma alternativa.

Parafraseando Humberto Maturana, antes de decidir que educação queremos para o Brasil, precisamos decidir que Brasil queremos, que sociedade queremos, que cidadãos queremos para o mundo.

Em que momento fizemos isso no Brasil? 

Quando você, como pai, como educador ou como estudante, opinou sobre estas questões? 

Quando você participou, mesmo sendo educador, de discussões e construções deste tipo, que realmente tenham resultado em práticas?

Quem é pai de criança ou jovem em idade escolar sabe que, mesmo pagando uma escola particular cara, seus filhos ainda não sabem o que a escola passou anos tentando ensinar. 

E a culpa não é do aluno, é da escola. 

Porque por outros meios as crianças têm aprendido outras coisas de forma rápida e com facilidade.

Há professores dando 60 aulas por semana, para salas com 30 ou 40 alunos, ainda usando um livro didático e uma lousa, enquanto o jovem tem o mundo na palma da mão, ao alcance de alguns toques na tela, sem precisar sequer olhar. 

Se a escola fosse mesmo um lugar saudável não teríamos um número tão grande de professores em tratamento com medicação de uso psiquiátrico e de crianças tomando Ritalina e sabe-se lá mais o quê. 


Se a nossa loucura já está atingindo as crianças, isso deveria ser um alerta vermelho para repensarmos a educação, a escola e a nossa saúde mental e emocional.

Professor estuda anos, adquire um conhecimento especializado e aprende como passar este conhecimento.

Depois chega na escola e vende seu tempo.

Ou seja, o professor vende seu tempo para a escola, mas ela vende o conhecimento do professor para a sua clientela.

É isso que significa trabalhar por hora/aula, você, professor, está vendendo seu tempo e seu dia só tem 24 horas, por isso não consegue ganhar o suficiente mesmo trabalhando tanto. 

Enquanto isso é a escola que vende o seu conhecimento por um preço bem alto.

Se você vendesse seu conhecimento diretamente, sem atravessadores, tudo seria diferente, para você, para a sua família e para seus alunos.

Desconstruir a escola e este tipo de mercado de conhecimento ou informação, significa acabar com a exploração do professor, baratear a educação para os pais e melhorar a qualidade do ensino para os alunos.

Espero que esse texto não tenha dado soluções nem respostas, porque não é essa a intenção, não sou dono da razão, não tenho solução para um problema deste tamanho, só sei que o problema existe e por isso espero ter provocado perguntas, dúvidas e questionamentos.