sábado, 13 de abril de 2019

SÉRIE: COISAS QUE APRENDI EM VIAGENS DE MOTO


Primeira:
Em Santa Catarina, Brasil,
arrumando a bagagem na moto para partir.


um sonho começa a ser realizado não quando se tem as condições favoráveis, como tempo, dinheiro e liberdade, por exemplo.

Ele começa a ser realizado na tomada de decisão.

Quando decidimos que vamos realizar, que vamos fazer aquilo.

Todo o resto vem depois e só vem se houver a tomada de decisão. Senão não vêm e nem tem porque aparecerem as condições se não há um destino determinado firmemente para elas.
Atravessando a Cordilheira dos Andes,
da Argentina para o Chile.

Pode demorar, pode ser com luta, com algumas privações, abrindo mão de algumas coisas, mas se há a decisão de realizar e aquela vontade que costumo dizer que “vem das entranhas”, será realizado de qualquer jeito.

Pelo menos comigo foi e é assim.

Primeiro eu decidi que iria percorrer a Cordilheira dos Andes e o Deserto de Atacama de moto, até o litoral do Oceano Pacífico.

Não tinha nem moto nem dinheiro nem tempo nem liberdade para fazer isso.
Tomei a decisão, determinei que iria fazer e 2 anos depois eu estava viajando de moto pelo trajeto que havia planejado.

E depois outro e... Agora sei que é assim, que assim funciona.

Ao longo dos 2 anos eu não titubeei, não vacilei, não tive dúvida e não desviei do objetivo, mantive a certeza e o resultado foi este.
Camping na cidade de Metan, província de Salta,
norte da Argentina.

Se você já passou por algo parecido compartilhe conosco, por favor.

Se nunca passou por esta experiência, compartilhe também e deixa eu te incentivar a tentar.

Você só tem a ganhar, não irá pôr nada em risco, pois é só uma questão de decisão e mentalidade.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

O QUE É SEXO TÂNTRICO?


A energia sexual é a mais poderosa que temos à nossa disposição. 




Conheci o sexo tântrico a 30 anos atrás.

Existem muitas teorias, diferentes visões e práticas, mas neste artigo vou me ater a duas questões em que o sexo tântrico pode auxiliar: que é no  prolongamento do prazer e no controle da ejaculação precoce.

O sexo tântrico é uma prática do tantrismo, que é uma filosofia comportamental que tem milhares de anos e que influenciou o hinduísmo, o budismo, a yoga e outras filosofias e estilos de vida.

O tantrismo é uma filosofia essencialmente matriarcal.

Não está voltado exclusivamente para a prática sexual, mas a influenciou ao aproximar espiritualidade, mística, yoga, concentração, meditação e atenção da prática sexual.

O sexo tântrico não tem como principal objetivo o orgasmo. O principal objetivo é o prolongamento do ato sexual e a intensificação do prazer antes do momento do orgasmo.

A prática do sexo tântrico se diferencia um pouco da prática sexual ocidental comum, por ser tratada de forma especial, ambientada em certa mística e delicadeza, com movimentos iniciais leves e lentos, concentração e controle da respiração, de modo a aumentar o prazer e a duração do ato sexual.

Por estas características ela pode ajudar na superação da ejaculação precoce, como um treinamento, ao passo que aumenta a libido e o prazer.

O tantrismo é uma filosofia libertária, por isso entrega algumas sugestões práticas, orienta, mas não engessa nem dogmatiza a prática sexual.

Segundo esta corrente filosófica, a união de dois corpos no ato sexual é também o encontro de duas forças que se complementam e se somam, gerando uma terceira força muito intensa e poderosa.


Defende que a energia sexual é uma das mais poderosas que temos a nossa disposição. Por isto que é daí, através do sexo e pelo sexo, que cada um de nós passou a existir.

A energia gerada no ato sexual, segundo o tantrismo, circula nos dois corpos com tal potência que é capaz de curar doenças e revitalizar todos os sistemas do organismo.

De fato, temos que concordar que das sensações humanas o prazer sexual se destaca e o sexo tem implicações em quase tudo o que vivemos, inclusive na própria vida.

Grande parte das disfunções  sexuais que uma pessoa possa viver tem origem na mente, nas emoções e nos hormônios. Questões que o sexo tântrico promete melhorar.

O caso da ejaculação precoce pode ser amenizado com o sexo tântrico porque ele tira o foco, também a obrigatoriedade, do orgasmo. Aliás, tira todo e qualquer tipo de obrigatoriedade.

Imagine o sexo tântrico como uma prática de yoga, em ambiente de serenidade, de concentração, controle da respiração e atenção plena.

Longe de toda pressa e euforia, as carícias se iniciam lenta e suavemente, enquanto cada um dos parceiros desfruta de todo o processo, do aquecimento gradual, da intensidade do prazer.

No caso da iminência de um orgasmo, em um momento em que o homem não gostaria de tê-lo ainda, por querer desfrutar do ato por mais tempo e proporcionar mais prazer à mulher, segundo o que ensina o tantrismo, o casal deve parar os movimentos (sem se desconectar, é claro), o homem deve respirar profundamente, inspirando pelo nariz e expirando pela boca, trazer a atenção para si, para a sua respiração e ao sentir que a iminência de ter um orgasmo se afastou, volta á prática normalmente.

Imagine esta prática sexual como uma panela de água no fogo. A água vai aquecendo, chega perto do ponto de ebulição, mas você não quer que a água ferva ainda, então você vai lá e baixa um pouco o fogo. Mas também não vai deixar esfriar, então  aumenta o fogo mais um pouquinho e assim vai mantendo a água na temperatura desejada pelo tempo que quiser.

A prática de sexo tântrico pode durar por horas, se esta for a decisão dos parceiros. Mas o importante é que dure o quanto os parceiros quiserem e que não seja interrompida em momento indesejado por um orgasmo ou outro motivo qualquer.

O orgasmo é o final daquele momento, é quando a energia gerada pelos parceiros “explode” e se dissipa, por isso a sensação de relaxamento. 

Somente depois de algum tempo, que varia de pessoa para pessoa, a energia é reposta e está pronta para nova prática.

Este artigo é só uma palhinha sobre o assunto, não há espaço para maiores detalhes e explicações, porque ele muito longo e haveria ainda muito o que dizer.

Mas se você se interessou pelo assunto, você pode pesquisar mais.

Experimente, conheça.

Liberte-se.

(Siga o blog)



quarta-feira, 10 de abril de 2019

CUIDADO COM AS FALSAS IMPORTÂNCIAS


Algumas importâncias são desimportantes, a gente é que inventa.

 Se começarmos a hierarquizar o que é mais importante na vida, chegamos a ela mesma, a vida.


Isto é o mais importante, a nossa vida, a vida alheia, a vida natural.

Pessoas são mais importantes do que coisas. Qualquer que seja.

Descendo na hierarquia está todo o resto, nada está acima da vida, das pessoas e da natureza. Ou pelo menos deveria ser assim, mas sabemos que não é.

Brigamos, magoamos, fazemos guerra, destruímos pessoas e relacionamentos por causa de coisas.

Por causa do carro, do dinheiro, do celular, da terra, da casa, do emprego, da herança, da carreira, do petróleo, do poder.

Por causa do tapete, do chinelo, das meias, do creme dental, da tampa do vaso do banheiro.

Pessoas, vidas, relacionamentos, sentimentos, emoções, pensamentos, memória, sensibilidade, tudo isso é mais importante do que coisas.

Mas às vezes, mesmo sem querer, quase que automaticamente invertemos esta hierarquia, colocamos o desimportante na frente daquilo que realmente tem importância.

Agora, aqui estou eu, propondo que a gente faça uma in-versão do que invertemos.

Acho que em alguns casos criamos falsas importância para nos sentirmos importantes.

Como que transferíssemos a importância que não vemos em nós para nossas coisas, para nosso carro, nosso status, nossa carreira, nossa casa, nosso celular, nosso dinheiro...

E assim, porque temos, porque conseguimos, porque é nosso, porque fizemos, então nos sentimos importantes.

Só que desta forma quem tem mais, quem fez mais, que tem o mais caro e o melhor sente-se mais importante e os outros, menos.

E as pessoas passam a ter graus de importância, de acordo com as coisas.

Imagine, se coloque nesta situação.

Se você andasse de bicicleta ou a pé e depois comprasse um carro zero e saísse pela cidade, você não se sentiria mais importante, mais seguro, mais gente do que antes?

E por que isso não acontece da mesma forma, com a mesma intensidade, quando a gente lê um livro e aprende algo que não sabia? 

Ou quando ajuda alguém, ou quando dá um abraço, recebe um sorriso e um beijo logo pela manhã, planta uma flor, encontra um passarinho cantando, ouve do filho que ele nos ama, ou é gentil com alguém?

Talvez tenhamos marcado na memória uma ocasião em que alguém brigou muito, xingou, torturou com cobrança, lembrou repetidas vezes, magoou, ofendeu, porque outro alguém quebrou o vaso, sujou o tapete, arranhou a roda do carro ao estacionar, perdeu o dinheiro da prestação, arranhou o fogão, amassou a panela, apertou o tubo de creme dental no meio, manchou a camisa ao lavar.

Estes seriam exemplos de falsa importância, de importância desproporcional dada às coisas, porque foram colocadas, em maior ou menor grau, acima da paz, dos sentimentos, do relacionamento, da pessoa, talvez da saúde e da vida.

Você já é a pessoa mais importante do mundo mesmo que não tenha nada, mesmo que não tenha feito nada, e coisa alguma deve estar acima de você.

Porque você é vida, é um ser vivente, é uma pessoa, uma alma, tem uma história e só pelo fato de existir já tem mais importância do que qualquer coisa.

Você não precisa de coisas para se sentir importante e nem para que tenha importância para os outros.

Não admita que a sua importância seja dada pelo que você tem, isso é humilhante.

Mesmo que você seja considerado importante porque estacionou uma Ferrari nova na porta do restaurante caro, isso é humilhante.

Você não dá importância ao seu cachorro pelo osso que ele come ou pela coleira que carrega no pescoço. Você dá importância a ele porque ele é um cão.

Então deveria ser uma humilhação inadmissível que uma pessoa se sentisse importante por causa de uma coisa e não pela sua humanidade.

Deveria ser uma humilhação inadmissível alguém nos achar importante por causa da Ferrari e não pelo simples fato de termos vida e sermos humanos.

É uma humilhação inadmissível ter nossa importância colocada para baixo ou para cima em virtude de coisa alguma.

Veja, não estou dizendo que as coisas não sejam importantes, que não se deve cuidar delas ou que tudo pode ser destruído.

Só estou dizendo que a elas deve ser dada a devida importância, nem mais nem menos. Sem falsas importâncias.

Pense nisso.

Liberte-se.

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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Como e por que praticar meditação?


Fixe o presente e viva alguns segundos de eternidade.


Existem muitas teorias sobre meditação, mas o que vou dizer aqui está baseado no livro Atenção Plena, de  Mark Williams e Danny Penman, que se fundamenta em pesquisa científica.

Li este livro e coloquei em prática o que ele ensina em um momento bem complicado da minha vida, de sofrimento, de perda, de confusão mental e emocional.

Por isso posso afirmar que foi muito importante e muito me ajudou a superar aquele momento e a me reequilibrar, mas além disso as práticas me deram ferramentas que carrego comigo e em mim como estilo de vida.

A meditação é a prática de acalmar a mente, de desacelerar os pensamentos, concentrando-se no momento presente.

Diferentes pesquisadores do mundo todo têm concordado que desacelerar a mente e colocar a atenção no momento presente, no instante em que se está vivento, no agora, pode trazer muitos benefícios à saúde mental e emocional, podendo evitar ou ajudar a combater a depressão e a ansiedade.

Esta prática tem dois aspectos: um deles é aquele em que você reserva um tempo para meditar, para fazer o exercício de manter a atenção plena. O outro aspecto é o de viver o dia-a-dia com a atenção mais no presente do que no passado ou nas preocupações com o futuro.

Já publiquei aqui no blog outros artigos sobre a importância de viver o presente, então neste vou dizer como praticar a atenção plena.

Como praticar a meditação (atenção plena)Primeiros atos



Esta prática requer um lugar silencioso, ou com um som de fundo adequado à meditação, e que você esteja sentado em posição confortável. De acordo com a sua escolha. E aqui nada deve ser forçado.

- Coloque seu corpo em posição confortável, de preferencia sentado.

- Permaneça de olhos fechados, sem apertá-los, com leveza.

- Respire algumas vezes de forma profunda, de preferência inspirando pelo nariz, devagar, até encher bem os pulmões, e expirando pela boca. Isto é para acalmar os batimentos cardíacos e oxigenar bem o sangue e o todo o corpo, relaxando-o.

- Passe por todo o seu corpo com sua atenção procurando se há alguma parte tensa e vá relaxando o máximo que puder. Isto é desde os dedos dos pés até a face, a boca, os olhos, a língua, o pescoço, não esqueça de revisar nenhuma parte.

- Para fazer o que foi dito até aqui, a sua atenção já precisou estar no presente, em você e onde você está. Então você já deve ter percebido que a sua mente tentou ( e talvez tenha conseguido, mas é normal) tirar você do aqui e do agora, levando você para outro lugar e talvez outro tempo.

- O objetivo é manter a sua atenção em você, onde está seu corpo e no exato momento presente, mas isso não será alcançado facilmente, será preciso praticar e desenvolver esta habilidade, sem forçar nada. Por isso, se pensamentos vierem não lute contra eles, apenas observe e calmamente volte a trazer a sua atenção para você, para o aqui e agora. Uma boa estratégia é concentrar-se na sua própria respiração.

- Não se incomode com quanto tempo deve permanecer assim, o tempo é aquele que lhe faz bem, sem forçar, e gradativamente você vai conseguindo ficar mais e mais tempo no aqui e no agora e vai adquirindo mais controle da sua atenção.

- Então, se der sono, durma, não se force, não se preocupe, ao acordar, se puder, comece de novo.

- Com a atenção em você, no presente, na sua respiração e no ambiente onde você está, você vai perceber mais claramente a enxurrada de pensamentos que vem a sua mente a todo o momento tirando você de onde você está, assim que perceber, observe com calma e traga-se de volta para o que está fazendo.

- Não lute contra os pensamentos, mas também não se deixe dominar e levar por eles, conduza a sua atenção de volta. Pensamento negativo e ruim que se combate se torna mais forte, apenas entende que ele existe, mas ele é virtual, não é o que está acontecendo agora, deixe ele ir embora e volte para você e para o presente.

Por enquanto é só isso.


Esta primeira parte do treinamento pode e deve ser exercitada por semanas ou meses, você não deve ter pressa, até que obtenha facilidade de relaxar, de trazer a atenção para o presente e para você.

Eu aconselho que esta prática seja feita pela manhã, antes de começar as atividades do dia, assim que você acordar, por vários motivos: porque fica mais fácil relaxar o corpo, porque a mente ainda não está tão acelerada, porque a chance de dormir é menor e porque vai te preparar para o restante do dia.  

Porém, esta é só uma dica, você pode fazer em qualquer horário e pode testar vários diferentes até encontrar aquele em que você se adapta melhor.

É claro que tem muito mais sobre meditação e atenção plena, mas experimente praticar apenas esta parte, vá treinando, depois voltaremos ao assunto e vamos aprofundando.

Se não conseguir fazer todos os dias, tente praticar pelo menos umas três vezes por semana, mas se for só uma, ainda é melhor que nenhuma.

Experimente.

Liberte-se.

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sexta-feira, 5 de abril de 2019

O TRABALHO NÃO DIGNIFICA O HOMEM



Existem muitas coisas que dignificam o homem, o trabalho não é uma delas.




A proposta é experimentar outras versões e inversões, então vamos pensar um pouco sobre esta frase.

Você sabia que houve uma época na nossa história em que o trabalho era sinônimo de indignidade?

O homem que não pensava, que não tinha capacidade criativa, intelectual, que não tinha conhecimento nem nobreza então trabalhava.

A única forma de garantir seu sustento era vendendo a força física e o seu tempo, então ele trabalhava.

Não servia para a ciência, para a literatura, para a arte, para o esporte, para o pensamento, então trabalhava.

Não trabalhar era sinônimo de nobreza e dignidade.

Era assim que era visto, essa era a leitura.

Claro que estamos falando deste tipo de trabalho: de quem vende seu tempo, sua força, seus dias, sua vida para que possa adquirir coisas. Na maioria das vezes, as mais básicas à sobrevivência.

Pensando por este aspecto, que dignidade há em acordar com um despertador berrando no ouvido, coração disparado, sem condições nem tempo para fazer sequer um bom desjejum com calma?

Que dignidade há em sair de casa correndo para pegar duas conduções só para chegar no trabalho, torcendo para não se atrasar e ter que ouvir reprimenda do patrão?

 Que dignidade há em ficar preso dentro de um carro no meio de um trânsito caótico depois de trabalhar pelo menos 8 horas e ainda chegar em casa tarde e exausto, quando os filhos já estão dormindo, dia após dia, semana após semana, ano após ano?

Que dignidade há em viver com medo de perder o emprego, se submetendo a vender a liberdade e a vida para se sustentar e sustentar precariamente a família?

Que dignidade há em mendigar um mísero aumento ou ter que vender as férias para ter um pouquinho a mais do que o alimento?

Que dignidade há em ser demitido sem dó nem piedade depois de se dedicar 15, 25 anos para realizar o sonho dos outros?

Aliás, que dignidade há em trabalhar 15 ou 25 anos na mesma empresa?

Que dignidade havia na escravidão, onde só o que se fazia era trabalhar?

E que grande diferença há entre aquele e este escravo?

A frase “o trabalho dignifica o homem” foi provavelmente criada na revolução industrial, pelo dono da fábrica que necessitava de operários obedientes, produtivos, convencidos de que eram dignos. Dignos de trabalharem 12, 14 horas por dia, ganhando um mísero salário e morando em cortiços.

Se o trabalho dignificasse o homem não existiriam tantos trabalhadores indignos.

Portanto, não é  o trabalho o fator decisivo para a dignidade do homem.

Existem muitas coisas que dignificam o homem e o trabalho não é uma delas.


A leitura, o estudo, a espiritualidade, as viagens, a justiça e até o ócio podem dignificar o homem, o trabalho não.

O trabalho que vende o tempo, a saúde, a força, a convivência com os filhos e a vida não dignifica, mas massacra, esmaga, indigna, revolta, mata sonhos, mata esperanças, embrutece, robotiza, coisifica, degrada.

Sim. Dá o pão. Dá não, vende e vende bem caro, muito caro.

E só o pão, mas nem só de pão vive o homem, também de cultura, de arte, de liberdade, do sorriso no rosto da esposa e dos filhos e da sensação de realização, de prazer e satisfação.


Um engano repetido muitas vezes, por décadas, por séculos, acaba sendo assimilado como uma verdade irrefutável. Mas isso não precisa nos impede de pensar.

Não escrevo para te convencer de nada.

Não escrevo esperando que você concorde.

Não escrevo pensando estar certo em tudo o que digo.

Escrevo na esperança de te fazer pensar em pelo menos um ponto que te diga respeito, que te angustia, que te incomoda, para que, quem sabe, possa te ajudar a tornar a vida melhor, mais prazerosa e digna.

Pense nisso.

Liberte-se.

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quarta-feira, 3 de abril de 2019

EM QUE TEMPO VOCÊ VIVE?



Só existe vida no agora, o resto é lembrança ou projeção.



No post anterior a pergunta foi 
Em que mundo você vive?”.

Mas neste quero compartilhar com você o que tenho pensado sobre o tempo em que vivemos.

Não no sentido de analisar a época e suas características, mas o tempo mesmo, o tempo em que estamos em um dado momento.

E por que isso seria importante?
Porque isto tem a ver com viver ou apenas existir.

Viver e existir são duas coisas bem diferentes.


Uma pedra existe, mas não vive.

Pelo menos não como vive um coelho ou uma pessoa.

Uma árvore existe e vive, mas não vive como vive uma águia que voa por cima das montanhas e bosques.

Nós, de todos os seres viventes, deveríamos ser os mais capacitados para viver em plenitude, no máximo de nossa condição, como seres dotados de raciocínio, inteligência, consciência e possibilidades quase que infinitas.
Infelizmente nem sempre é isso o que acontece.

Olhe para o homem e veja como ele vive.




Paralelo a todos os avanços magníficos que fizemos na nossa história, hoje há uma grande parcela de nós que vive infeliz, solitária, ansiosa, deprimida, angustiada, com pressa, sem tempo, atarefada, insatisfeita, doente, atrapalhada, sem ânimo, correndo atrás de algo que nem sabemos direito o que é, que nem desejamos de verdade ou que não nos fará bem.

Vivemos quase que automaticamente porque alguma força acima de nós parece nos obrigar, diz que devemos, que tem que ser assim, então obedecemos.

Reclamamos que não temos tempo para nada, ou melhor, que não temos tempo para fazer o que gostaríamos de fazer, quando deveríamos ser os únicos donos do nosso tempo de vida.

E assim nos tornamos a única espécie que se autodestrói, somos os únicos seres vivos que cometem suicídio por desespero. Quando deveríamos ser a espécie mais feliz,  a mais foda de todas.

E se você for fazer uma pesquisa, não se surpreenda se descobrir que em muitos lugares, inclusive do Brasil, o número de suicídios já é maior do que o número de homicídios. E olha que o número de homicídios infelizmente é bem alto.

Mas o que isso tudo tem a ver com o tempo?



É que se não somos donos do nosso tempo para fazer aquilo que nos faz bem, que nos alegra a alma, que areja a alma, que nos dá esperança e alegria de viver, que nos dá satisfação na vida, tesão, sensação de liberdade e plenitude, adoecemos.

Se passamos ano após ano vivendo insatisfeitos, presos a situações desagradáveis, odiando levantar da cama para encarar o dia, amando a sexta-feira e odiando a segunda, tendo sonhos e não vendo a possibilidade de realizá-los, esperando a aposentadoria chegar para viver, escravos do passado ou do futuro, adoecemos.

É o mesmo que capturar aquela águia e colocar em uma pequena gaiola, ela entristecerá e adoecerá até a morte.

Em que tempo você vive?


Você já colocou as chaves ou outro objeto em algum lugar e não sabia mais onde foi?

Você já saiu de casa e depois ficou se perguntando se chaveou a porta, desligou o gás ou o ferro de passar roupas?

Você já se deu conta de um novo imóvel ou uma linda árvore florida no trajeto que faz todos os dias e que nunca havia percebido?

Você já foi a algum lugar e passou direto, se dando conta só depois que andou mais do que era necessário?

Estas coisas acontecem porque quando você fez o que fez não estava presente em si mesmo nem no momento nem no lugar. Estava fora, no passado, no futuro ou em outro lugar, só o corpo estava agindo automaticamente.

E isto é existir sem viver, é existir ausente.

O homem está onde está a sua atenção.

Viver desta forma consome uma enorme quantidade de energia, nos faz perder o momento presente e o espaço presente. 
E viver assim é viver automaticamente, como um robô.

Viver assim é fragmentar-se e fragmentado não se pode ser pleno.

Além disso, viver no passado pode causar depressão e viver no futuro é uma das causas da ansiedade.

O passado não se pode mais alterar, aliás, ele nem existe mais, somente existem as consequências dele e estas estão no agora.

O futuro também não está no nosso controle e nem sabemos se chegaremos nele ou se ele existirá. E se existir, ele será o resultado do nosso viver no presente real, de fato, em ação.

O único tempo que existe é o exato agora, o momento presente, o já.
E é somente no presente que existe vida.

É só no presente que a vida acontece, estar fora dele é estar fora dela também.

É somente vivendo o presente de forma magnífica, intensa, integralmente, que podemos alterar o nosso passado e possibilitar um futuro fantástico.

Pense nisso.
Liberte-se.