sexta-feira, 10 de maio de 2019

VOCÊ SABE LER OS SINAIS DA VIDA?



Veja o aconteceu comigo 


Os caminhos que me levaram à uma Universidade Federal



Eu não tinha todo o dinheiro para fazer a inscrição do vestibular, no último dia  achei o valor exato que faltava embaixo de um banco de praça, enquanto caminhava e conversava com um casal de amigos, por isso fui fazer a prova sabendo que ia passar. E passei.

Claro que não passei só por isso, também estudei.

Poderia não ter passado, mas quando isso aconteceu senti que naquelas entrelinhas a vida tinha escrito um texto para mim, indicando a possibilidade de um caminho, que realmente se concretizou.

Os caminhos que me tornaram um professor



Alguns meses depois que comecei o curso, eu fazia todos os dias o mesmo caminho da Universidade ao shopping, onde eu trabalhava, e passava sempre na frente de uma escola particular.

Toda vez que eu passava ali, olhava para ela e de alguma forma sentia uma atração, não era racional, não havia planos, eu nem conhecia aquele colégio, não sabia como ele era.

As impressões não eram muito claras, mas havia uma sensação sutil de que aquele lugar tinha ou teria algo a ver comigo.

Uma voz baixinha falava lá no fundo do meu ser que um dia eu ainda estaria do lado de dentro daquela escola.

Dois anos depois eu fui contratado como professor daquele colégio e nunca fui pedir emprego lá.

Um professor do meu curso, da Universidade, havia sido contratado por aquela escola para assessorar os professores e ele me convidou para acompanhá-lo nas reuniões, como uma forma de eu adquirir know how . Foi assim que depois de um tempo eu fui convidado pela direção para trabalhar com lá.

E aquela sensação lá do início, quando eu caminhava sete quilômetros da Universidade ao shopping onde eu trabalhava de estoquista em uma loja, era a vida dando sinais de que outros caminhos se abririam para mim.

Os caminhos que me levaram a realizar um sonho


Sete anos depois, eu estava planejando fazer a minha primeira viagem internacional de moto, um sonho que eu tinha desde a adolescência, há mais de 20 anos.

Mas uma situação inesperada me obrigou a vender a moto que eu tanto amava. Parecia o fim dos meus planos.

Algum tempo depois, a situação financeira começou a mudar de novo. Um dia passei na frente de uma loja e vi uma moto para vender que era exatamente igual aquela que eu tinha.

Naquele momento, como eu já havia aprendido a ler os sinais da vida, tive certeza de que conseguiria realizar aquela viagem. Entrei na loja e comprei a moto.

Depois de mais ou menos 1 ano eu fiz a viagem.

O que aprendi


Contei para você apenas três ocasiões em que a vida me mostrou, o que viria a acontecer comigo, mas vivi muitas outras.

Se a vida não me mostrou, eu fiz a leitura, e aconteceu o que eu li.

Foi assim que aprendi a ler os sinais da vida, como leio os sinais gráficos dos textos.

Mas gostaria que você percebesse que as coisas não aconteceram somente por destino ou porque eu fiz a leitura, mas também porque eu estava fazendo a minha parte, trabalhando, estudando e, principalmente, sonhando.

Além disso, não forcei a vida, não impus controle, ela fluiu.

Não pedi o dinheiro para fazer a inscrição no vestibular.
Não pedi emprego naquela escola.
Não procurei a moto para fazer a viagem.

Eu apenas quis muito.
E estudei para passar no vestibular,
E me dediquei no trabalho no shopping e na Universidade.
Trabalhei para ganhar o dinheiro que depois comprou a moto e financiou a viagem.
Li os sinais da vida, os caminhos que ela me indicou.
E me permiti sonhar.

Não estou querendo te dizer que a vida oferece de graça, nada veio fácil.
Foi com muito esforço;
com planejamento;
foram muitas noites sem dormir, estudando e fazendo trabalhos da faculdade;
foi com muito trabalho e até com fome;
mas com persistência e foco.
Aí sim as coisas vieram, as oportunidades se apresentaram e eu estava pronto e atento.

Fazer a leitura da vida é entender o caminho que a vida mostra, assim fica bem mais fácil.

Porque eu também já tentei muitos caminhos que não se abriram e tive que reconhecer que não era por ali que eu tinha que ir.

Já outros se abriram e tudo fluiu quase que por lógica.

Você deve ter percebido que alguns levaram tempo, até anos.
Eu só comecei a lecionar em uma boa escola particular depois de dois anos estudando e trabalhando em um estoque de loja, sem dinheiro até para comer, muitas vezes.

E acredito que se eu tivesse cismado em trabalhar em outra escola ou tivesse escolhido outro caminho, talvez tivesse tentado muito ser ter sucesso.

Fazer a leitura da vida é como estar em um cruzamento e ler as placas para descobrir qual é o caminho que temos que seguir.

Quando estou em uma encruzilhada na vida, quando estou com dúvida e não sei por onde devo seguir ou o que devo fazer, então não faço nada.

Apenas faço o que se faz antes de cruzar a linha do trem:
paro, olho e escuto.

Nestes casos, antes de tomar decisão, aprendi a parar, prestar atenção, olhar para o que a vida está me apresentado, fazer a leitura e interpretação para depois seguir.

E foram inúmeras as vezes em que eu não precisei tomar a decisão, não precisei estar no controle e a porta se abriu sozinha, eu só tive que entrar, fazer o meu melhor e desfrutar.

No momento em que escrevo este texto estou vivendo outra situação como estas que descrevi para você.

Fiz a leitura, interpretei, as portas estão se abrindo e eu estou entrando.
A caminho de viver mais um sonho.

Mas tem planejamento, de 2 anos, muito trabalho também e aquela certeza de que tudo dará certo, porque já li nas placas de trânsito da vida que o cominho que ela abriu para mim é este.

Quando tudo se realizar por completo, eu conto para você como foi.

Mas já estou avisando agora como prova do que estou dizendo neste artigo, até o final de 2020 se cumprirá o que eu li na vida no final de 2018.

Tenho certeza.

Você pode experimentar algumas dicas que dou aqui, e se quiser mais detalhes, se quiser fazer perguntas ou compartilhar alguma situação que ocorre com você, pode comentar este artigo ou me enviar mensagem privada, seja por e-mail, whatsapp, facebook ou Instagram.

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segunda-feira, 6 de maio de 2019

TESTAMENTO DE UM LEITOR


Depois de 38 anos de estudo, finalmente cheguei no começo e posso começar a aprender.


Não escrevo porque presumo saber das coisas ou presumo que posso ensinar ou dar lições, escrevo porque para mim é uma necessidade.

Escrever faz parte de mim, da minha vida, de quem eu sou, então não posso, e não quero, fugir disso.

Escrevo para compartilhar ideias, não para ter razão.

Escrevo para perguntar e provocar perguntas, não para dar respostas.

Considero as perguntas mais importantes do que as respostas.

Aliás, aos 52 anos, depois de 38 anos de leituras e estudos constantes, depois de centenas de livros lidos, de estudar os mais diversos assuntos, viver em muitos lugares, viajar bastante, depois de experimentar uma enorme diversidade de modos de vida, descobri que não sei nada.

Parece que agora estou quase pronto para começar a aprender.

E tenho muito mais perguntas hoje do que tinha no passado.


Houve vários momentos em que eu achei que sabia, então eu dava respostas sobre a vida, sobre o homem e até sobre Deus.

Quanta presunção!

Hoje não me arrisco mais a fazer isto, começo a vislumbrar a complexidade e a grandiosidade da vida, do homem e ainda mais de Deus.

Estou começando a entender o tamanho que tenho diante de questões tão grandes, sou pequeno demais, minha mente, humano que sou, é limitadíssima, tem pouco alcance.

Então como posso querer explicar algo tão grande?

Seria muita presunção achar que sei, se depois de tanto estudar, ler e viver sequer toquei no conhecimento.

Acho que devo começara a aprender.

Por isso cada dia que passa tenho mais perguntas e menos respostas. Cada dia que passa me distancio mais daquela fase da vida em que eu era o dono da razão. Hoje não sou dono de nada, ainda bem, isto é um alivio.

Mas estou muito feliz por ter chegado a este ponto: o começo.

Talvez eu esteja perdendo a ilusão de que eu sabia algo e isto seria ótimo, porque a maior inimiga do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão do conhecimento (esta frase não é minha, alguns dizem que é de Stephen Hawking e outros dizem que é de Daniel Boorstin. Eu não posso afirmar com certeza quem é o autor desta frase, apenas gosto dela.).

Tenho encontrado cada vez mais “donos da razão”, “detentores da verdade”, pessoas capazes de explicar a vida, de te ensinar como viver de forma correta e até capazes de explicar Deus.

Espero poder aprender algo com estas pessoas.

De minha parte, sigo preferindo as perguntas.







quinta-feira, 2 de maio de 2019

MINIMALISMO E NOMADISMO


Pouco para viver muito, em liberdade

Esticando as pernas e desfrutando do visual
em Cordilheira dos Andes - Chile

Estes dois conceitos têm muito a ver um com o outro.

Os dois pressupõe liberdade, desprendimento e baixo consumo.

No minimalismo a ideia não é ter mais nem ter muito, é ter menos e melhor, o que requer desapego. E o foco é viver, viver em liberdade.

No nomadismo a ideia é não estar preso a um só lugar, já que não temos raízes, temos pernas. 

E viajar pelo mundo carregando um mundo de coisas é inviável. Isto requer desapego também, de coisas, pessoas e lugares. E o foco é viver, viver em liberdade.

No meu caso, que viajo de moto, aprendi cedo que moto não tem porta malas, então não dá para levar muita coisa nem dá para ficar comprando muito na viagem.

O lema é: viaja e vive.

Experimenta, guarda algumas imagens e a experiência dentro de si, que enriquece sem ocupar espaço.

Para viajar de moto é preciso levar o mínimo necessário, só o imprescindível, que deve ser de boa qualidade, deve ocupar pouco espaço e ter pouco peso. Assim as viagens, e a vida, ficam mais leves.
Uma noite no camping municipal de Metán,
província de Salta, norte da Argentina.

Quanto mais coisas uma pessoa tem, maior a possibilidade de ter também mais despesas, ter menos liberdade, produzir mais lixo, consumir mais, estar mais exposto a riscos, sentir mais insegurança, ter mais medos, mais preocupações e viver mais ilusões.

Muitos têm comprovado que é mais barato viver viajando pelo mundo do que manter uma vida fixa no Brasil, mantendo casa, apartamento, condomínio, veículos, impostos, educação, saúde e tudo o que envolve um estilo de vida assim.

Além disso, viajar oferece muitas outras vantagens que viver fixo em um lugar não oferece.

A decisão de viver de um jeito ou de outro é pessoal, o importante é que seja uma decisão, que a pessoa saiba que pode decidir e alcançar o que deseja.

Faça o que fizer, faça se quiser.

Ainda assim, o minimalismo e o nomadismo são estilos de vida que conquistam cada vez mais adeptos ao redor do mundo, cada vez mais felizes.

Estas pessoas partem da lógica que acumular coisas e viver preso em um lugar não tem lógica. É procurar sarna para se coçar.

Ainda mais se considerarmos que o planeta é enorme, é lindo, a vida é curta e "dessa vida só se leva a vida que se leva", como ouvi um padre dizer no velório de uma amiga uma vez. 

Então, liberte-se.




sábado, 27 de abril de 2019

GAME OF THRONES: PROTEJA OS INOCENTES


“Em nome da mãe, ordeno que protejas os inocentes.” 


 Esta é a terceira frase dita na cerimônia de nomeação do cavaleiro, que se encontra de joelhos, com a espada sobre seus ombros e depois sobre sua cabeça.



As duas virtudes anteriormente exigidas de um cavaleiro desembocam nesta última, a proteção dos inocentes.

Ter coragem e ser justo só tem sentido se for em função de proteger os inocentes.

Mas ao longo da série o que vimos foi muito mais crueldade e tirania do que defesa dos inocentes.

Vimos aqueles que defendiam os inocentes serem castigados e os tiranos serem premiados, mais ou menos como acontece no mundo real, fora da ficção.

Ainda assim, se algo dentro de nós vibra e se alegra quando vemos uma rainha se dedicar a libertar escravos, a dar proteção, reconhecimento, dignidade e carinho a eles, então estamos salvos, porque estamos vivos.

Do contrário, se não sentimos isto, estamos perdidos, porque estamos mortos.

Se diante da injustiça sentimos indignação e temos coragem de enfrentá-la, então estamos salvos, porque ainda estamos vivos.

Mas se diante da injustiça nos alegramos, se a justificamos ou nos acovardamos, então estamos perdidos, porque já estamos mortos.

Esta é a grande batalha entre vivos e mortos desta oitava e última temporada.

Entre súditos de reis e o povo livre há aqueles que ainda estão vivos e lutam contra a morte, não apenas contra vagantes brancos ou o rei da noite, mas contra a tirania, contra a escravidão, a fome e a miséria da viúva e do órfão, contra a distorção do poder e a dominação.

E para a surpresa de muitos, mais uma história vem confirmar que os valores do cavaleiro sempre estiveram no bastardo, no renegado, na mulher, na criança, mais do que no comandante militar, nas tropas do rei e no trono.

À primeira vista não foi possível ver, mas as aparências enganam, muito, tanto na arte como na vida.

E até aquele que é nascido do ferro é capaz de refletir sobre si e se moldar, quando submetido ao fogo, se estiver vivo ainda.

O que está morto para si, não pode morrer, ainda que seja assassinado viverá na coragem, na justiça e na proteção dos inocentes.

O cavaleiro de valor não depende da ordenação, das palavras, da formação, mas de alguma forma ele carrega em si este traço humano indestrutível e inconfundível, e o mantém diante de qualquer dificuldade ou facilidade.

Game of Thrones tem muito a ensinar para quem quer aprender, mesmo que seja necessário assistir tudo de novo, assim como é a vida.




sexta-feira, 26 de abril de 2019

GAME OF THRONES: SEJAS JUSTO.


“Em nome do pai, ordeno que sejas justo.”
  


Para ser justo primeiro devo dizer que não é minha a tarefa de julgar.

Eu não sei você que está lendo, mas eu não sou juiz, minha tarefa não é julgar, ainda bem. Já há quem tome esta atribuição para si.

E quando, na cerimônia de nomeação do cavaleiro, é dita esta frase, nada tem a ver com julgar alguém, determinar se é culpado ou inocente e executar a pena ou a absolvição.

Tem a ver com um traço natural, inato, de certos seres humanos, não depende muito de pensar ou calcular, mas vem meio por intuição, por inspiração.

Por isso nem todos os homens podiam ser nomeados Cavaleiro do Rei, porque nem todos os homens nascem com a índole de corajosos e justos.

Ser justo para o cavaleiro tem a ver com não aceitar a injustiça, rebelar-se contra ela. Seja injustiça contra si ou contra os outros.

Ser justo também não tem a ver com cumprir lei, ordem e hierarquia, porque nem sempre elas são justas. Aí ser justo é desobedecer.

Ser justo tem a ver com não trapacear.

Tem a ver com assumir seus erros e pagar o preço com hombridade.

Tem a ver com colocar princípios humanos acima de qualquer outro, de qual-quer ou-tro.

Não é justo que o mais forte, aquele que  se encontra em posição de vantagem, só por isso bata, explore, humilhe aquele que está em desvantagem.

No nosso caso, não é justo, por exemplo, que você trabalhe duro para comprar um imóvel e tenha que pagar imposto sobre ele a vida inteira, correndo o risco de perdê-lo se não pagar.

Não é ser justo, ver as injustiças e nada fazer contra elas, pois é assim que elas se proliferam e ganham força.

Ser justo e corajoso não são virtudes que se pode ensinar, mas se pode aprender.  

Ao longo da série poucas pessoas justas apareceram, e muitas delas foram mortas também, mostrando que a morte e a desgraça vêm para justos e injustos.

Alguns que consideramos injustos por quase toda a série ainda estão vivas e fortes e oscilaram entre momentos e ações de justiça e de injustiça.

Algumas personagens nos surpreenderam ao percebermos que por traz de uma couraça de impiedade havia alguma justiça.

Isto parece nos mostrar, como na vida, que não fomos talhados, feitos, preparados para julgar, porque nossa visão sobre os outros é muito limitada, sempre parcial.

A série também mostrou que ser justo não significa ser perfeito, que o justo comete erros e deve ser justo consigo mesmo, não se condenando impiedosamente.

Afinal, ser justo em nome do pai não é mesmo tarefa de julgar, mas de proteger os inocentes, os indefesos. 

Tema do próximo artigo.



terça-feira, 23 de abril de 2019

GAME OF THRONES: A CORAGEM (texto sem spoiler)



“Em nome do guerreiro, ordeno que tenhas coragem.

Em nome do pai, ordeno que sejas justo.

Em nome da mãe, ordeno que protejas os inocentes.”


Estamos assistindo a oitava e última temporada desta série fantástica.

Além de desfrutar dos episódios é possível aprender muito com ela sobre a natureza humana.

O segundo episódio desta última temporada foi emocionante, claro que não só este, muitos foram, mas este foi um momento de reflexão antes da grande batalha entre vivos e mortos, entre a vida e a morte.

Se bem que ficou evidente que há muita morte na vida e muita vida na morte, não fosse assim não teriam que se enfrentar.

E agora, quase no final, surge novamente o juramento, a cerimônia, as palavras usadas na nomeação do cavaleiro, que é tudo o que um homem necessita ter ao longo da sua vida.

"Em nome do guerreiro, ordeno que tenhas coragem"


A coragem não é o atributo do guerreiro, que vai garantir a sua vitória na luta contra o inimigo externo.

A coragem não está ligada à vitória diretamente.

Mas está ligada à luta.

Para vencer é preciso ter mais habilidade que o oponente.

Para enfrentar a luta é preciso de coragem.

Sem coragem a pessoa nem começa, então não tem mesmo como vencer, já está derrotada, já está morta.

Por isso é em nome do guerreiro que se ordena a coragem, porque não importa se vai viver ou morrer, ganhar ou perder, ele tem coragem para enfrentar.

 Não pode fugir disso, não pode evitar ou deixar de fazer, porque é um princípio dele, que o constitui, é parte dele, por isso é um guerreiro, um cavaleiro.

Ter coragem não é não sentir medo.


Ter coragem é enfrentar o medo e fazer assim mesmo, com medo e tudo.
Não importa o tamanho do inimigo, a cara feia, o tamanho da espada dele, o quanto ele é famoso e temido.

O cavaleiro dotado de coragem vai e enfrenta, do seu jeito, porque é assim que ele é.

O corajoso sabe reconhecer que perdeu a luta, sabe conviver com isso e sabe respeitar a superioridade do seu oponente.

Mas  não conseguiria conviver com a derrota de não ter enfrentado, de nem ter tentado, de ter fugido.

A coragem é um atributo do guerreiro que o faz enfrentar primeiro o seu medo e depois seu oponente. Primeiro enfrenta a si mesmo, luta dentro de si mesmo, depois contra o que está fora.

Na vida real, aqui fora de Game of Thrones, temos medo até de sentir medo, temos medo das nossas fraquezas, temos medo do desconhecido, da incerteza, do que não dominamos, do que não entendemos.

Temos medo do assalto, do desemprego, do chefe, da falta de grana, de não conseguir, de perder, de que nos vejam como somos.

Temos medo do que será o amanhã, medo de sentir dor, medo do que irão pensar de nós, medo da comida fazer mal, de engordar ou emagrecer, medo de se arriscar ou de ficar doente.

Temos medo que nós mesmos desconhecemos.

E ao invés de termos coragem e enfrentarmos estes medos, nos damos o direito de fugir, de nem sequer enfrentar, nem o que está dentro nem o que está fora de nós. É um direito, se a covardia prejudicar somente a si mesmo.

Temos medo de uma crise financeira, medo do terrorismo, do  comunismo, de que não gostem de nós, medo que nos desaprovem, medo de não fazermos sucesso, de não sermos reconhecidos.

Temos medo de não conseguirmos comprar, de não conseguirmos ter.

Temos medo do bullying e temos medo de não sermos salvos.

Temos medo de germes, de mosquitos, de bactérias e vírus.

Temos medo de perder o controle.

Temos medo até de Deus e de perder a ilusão.

Até que chegamos ao ponto em que não queremos mais nem sair de casa nem falar com pessoas.

Afrouxamos demais. Somos feitos de medos.

E estes medos são colocados em nós propositalmente, planejadamente, porque o medo é a melhor ferramenta de controle que existe.

Todos os governos e mecanismos de controle sabem disso. O mercado e o marketing sabem disso.

Por isso o tom é sempre de que você não vai poder viver sem isso ou com aquilo, que seus filhos não terão futuro ou serão frustrados, que sua família corre risco se você não adquirir e se não fizer assim seu futuro estará ameaçado.

Se não nos ouvir você irá para o inferno, um inferno de vida.

Será, mesmo?

Existem os perigos e riscos reais. Isto é certo, é fato.

Mas também existem outros fatos.

Os perigos e riscos podem atingir qualquer pessoa, com medo ou com coragem.

E viver cheio de medos já é viver no inferno. Por que o que é o inferno senão um lugar de terror e medo?

Viver cheio de medos já é uma derrota, uma doença, um fracasso, nem é preciso que os perigos e riscos nos atinjam. 

Todos estes medos detonam com a autoconfiança e a autoestima. Causam uma enorme sensação de impotência e frustração que acaba esmagando a vida das pessoas.

Em nome do guerreiro, ordeno que tenhas coragem. E assim enfrente seus medos, não os outros, não os dos outros.

Tenha coragem, porque o medroso também morre, também sente dor, também fracassa, também vive o inferno, talvez muito mais do que aquele que tem coragem.

Não se deixe dominar pelo medo, não permita que o medo mate seus sonhos, sua liberdade, seu prazer de viver, sua autenticidade, sua bondade, seu amor, seu senso de justiça.

Justiça será o tema do próximo artigo, a partir da segunda frase da cerimônia de nomeação do cavaleiro: em nome do pai, ordeno que sejas justo.

Mas até lá, reflita sobre seus medos. Você reconhece os seus medos? Do que você tem medo?

Enfrente seus medos, da forma que for mais adequada para você, pedindo ajuda se for preciso, mas tenha coragem de enfrentá-los.


Liberte-se!