sábado, 16 de março de 2019


QUAL É PREÇO? E QUAL É O VALOR?



A vida de quem você ama não tem preço, mas tem um valor inestimável.



Preço e valor são duas coisas bem diferentes. Antes que algo tenha um preço, é preciso que tenha valor.

Você coloca preço em seus produtos ou serviços, mas você já parou para pensar no valor que eles têm?

Já se perguntou qual é o real valor do seu produto, do seu serviço ou negócio na vida das pessoas?

Comecei a aprender sobre isso em uma palestra do Flávio Augusto, que está disponível no YouTube. Depois aprendi mais nos seus livros e nas comunidades Geração de Valor.

Nesta palestra ele conta que certa vez um executivo da Amazon pediu desculpas aos acionistas porque a empresa teve lucro.

Ou seja, ele pediu desculpas por ter sobrado dinheiro naquele mês e porque teve que repassar dinheiro aos acionistas.

Parece estranho, não é mesmo?

Mas o executivo da Amazon fez isso porque a estratégia da empresa é criar valor e para isso deve investir todos os recursos e esforços com este objetivo: tornar-se valiosa no mercado.

Se sobrou dinheiro para os acionistas é porque a diretoria não investiu todos os recursos no principal objetivo da Companhia, por isso  o pedido de desculpas.

E é por isso mesmo que a Amazon é uma das empresas mais valiosas do mundo.

Isso quer dizer que antes de vender a Amazon, antes de colocarem um preço por ela, precisam valorizá-la, precisam criar valor.

Diz Flávio Augusto que qualquer empresa, qualquer organização ou prestador de serviço pode, e deve, se concentrar em gerar valor. O preço será uma consequência do valor que tiver.

Um escritório de advocacia, um açougue, uma prestadora de serviços de limpeza, uma escola, uma casa de lanches, um salão de beleza...

Qualquer negócio pode se dedicar ao objetivo de gerar valor. E isto não está diretamente ligado a vendas nem está necessariamente relacionado com aumento de despesas.

É claro que alguns casos são mais fáceis do que outros, mas não se está procurando o fácil nem preocupado com as dificuldades, pois nem sempre o mais fácil é o melhor nem o mais difícil é a pior opção.

O que  é preço e o que é valor?



Preço é o quanto alguém paga por algo.

Valor é a relevância que aquele algo tem na vida da pessoa.

E a relevância do produto ou serviço está no quanto aquilo resolveu o problema, solucionou a dor, mudou a vida para melhor.

Veja só os níveis de valores que as coisas podem ter.


Têm coisas que você compra por um preço baixo, mas têm um valor enorme para você.

Têm coisas que você compra por um preço alto, mas não têm muito valor para você.

Tem aquilo que você deu muito dinheiro para ter, que pagou um alto preço, mas você diz: valeu a pena! Isto tem um valor enorme na minha vida.

Mas ainda têm aquelas coisas que não têm preço, porque são realmente valiosas.

São tão valiosas, têm um valor tão alto, que nenhum dinheiro do mundo pode comprar.

As coisas mais valiosas não são coisas, por isso não podem ser compradas nem vendidas, mas existem e podem ser oferecidas, disponibilizadas, conquistadas, agregadas.

Por exemplo:

a gentileza, a verdade, a fidelidade, a sinceridade, a amizade, a atenção, a compreensão, a generosidade, a motivação, a saúde, o amor, a presença sincera e espontânea, a vida...

Nada disso pode ser comprado, nem precisa e nem deve ser comprado, mas é justamente isso que tem valor inestimável.

Já não basta mais alugar uma sala, colocar uma placa na frente, abrir a porta e esperar o cliente chegar.

Já não basta mais imprimir algumas cópias do seu currículo, colocar numa pastinha e sair distribuindo.

Já não basta mais publicar uma propaganda a promoção de um produto.
É importante saber avaliar que valor o serviço,  o produto ou o negócio tem na vida das pessoas e como este valor pode ser aumentado.

Só depois disso o “negócio pega preço”, como se diz na gíria.

E isto também é válido no âmbito pessoal.

Você pode sair para pedir um emprego simplesmente porque está precisando pagar suas contas.

Mas você também pode sair para oferecer uma solução para as empresas, para oferecer valor para elas.

Pergunte-se: o que você tem que faz diferença, que resolve problemas, que sana dores, que faz a empresa ser mais valiosa?

A sua resposta é o motivo pelo qual o empresário desejará ter você ligado a empresa dele.

Mas se você não encontrou uma resposta satisfatória, não se preocupe, levante-se agora de onde você está e comece a trabalhar nisso.

Mas se você for o empresário, então pergunte-se:


O que a sua empresa tem de diferente das outras concorrentes?

O que ela tem que sara as dores, as carências, as angústias das pessoas?

O que a sua empresa tem que resolve os problemas das pessoas?

O que o seu negócio tem que gera valor na vida das pessoas?

Se você ainda não encontrou respostas para estas perguntas, então levante-se agora de onde você está, fuja da zona de conforto e comece a trabalhar nisso.

Preço baixo? 
Um atendimento um pouco melhor? 
Boa localização? 
Produtos de qualidade? 
Prazos? 
Parcelas? 
Estacionamento privativo?

Nada disso é suficiente, porque estas são coisas básicas e universalizadas, não são diferenciais que geram valores reais na vida das pessoas.

Quando você ou o seu negócio realmente tiver valor diferencial para a vida das pessoas, elas não se importarão com o preço que terão que pagar nem com o quanto terão que viajar para chegar até você nem se terão prazo para pagar ou não.

Porque o que tem valor, não tem preço. 

O que tem valor vale a pena, valor o preço.

Mas como eu faço isso na prática?

Como eu aplico este princípio na minha vida pessoal ou no meu negócio?

Bom, isto vai depender de diversos fatores, de quais são os seus objetivos, o que você tem para oferecer, qual o tipo de negócio, qual a área, qual o público, a cidade, a região e muitas outras questões.

Por isso é assunto para uma conversa bem mais pessoal, porque cada caso é diferente e há uma série de particularidades a serem consideradas.

Pense nisso.

E liberte-se dos padrões.


quinta-feira, 14 de março de 2019

PREPARE-SE, E NÃO PERCA ESTA ONDA



Ficar se lamentando e colocando culpa nos outros nunca mudou para melhor a vida de ninguém. 


Segundo dados disponíveis no site do IBGE na internet, o Brasil tem hoje quase 13 milhões de desempregados. Destes 13 milhões de desempregados um percentual considerável já desistiu de procurar emprego.

Mas não são somente estes dados que são alarmantes, o IBGE também apura os casos de subemprego, o que eleva o número de 13 milhões para 23 milhões de desempregado e subempregados.

A palavra subemprego já diz que é um emprego inferior, é de baixa qualidade, é sub, não é suficiente para suprir as necessidades básicas do indivíduo e muito menos da sua família, não dá ao trabalhador uma perspectiva de crescimento futuro, não tem benefícios e não é seguro.



Aí onde você mora você deve ter percebido quantas empresas, na indústria e no comércio, têm fechado. Foram muitas, não é mesmo? Mas isto não é apenas um resultado negativo de políticas econômicas e crises financeiras, também é, mas faz parte de uma realidade bem mais ampla e complexa.

É preciso considerar que as relações de trabalho estão mudando rápida e profundamente com a r-evolução tecnológica que estamos vivendo há algumas décadas.

E neste contexto nem todo mundo acompanha esta r-evolução, alguns acabam ficando à margem, desatualizados, sem condições de responder a esta demanda.

Enquanto alguns postos de trabalho foram ocupados por softwares, novas profissões vêm surgindo quase que diariamente. É uma onda que você pode surfar, se estiver antenado e de mente aberta.  

Além disso, quem quer contratar está enfrentando enorme dificuldade de encontrar pessoas capacitadas.

Isto pode estar indicando uma deficiência da educação brasileira, que não deve apenas se preocupar com  capacitação técnica.

O excesso de técnica, sem humanidades e culturas, pode criar técnicos robotizados, sem imaginação, sem iniciativa, medrosos, inseguros, com dificuldade de aprender coisas novas, preconceituosos, de mente encaixotada, sem espírito empreendedor, com dificuldade para mobilizar cooperação e criatividade na solução de problemas. Estas são as principais causas das demissões, e não a falta de conhecimento técnico.

A maior causa das demissões não é a falta de conhecimento técnico, é falta de habilidade para mobilizar cooperação e criatividade na solução de problemas.


Por outro lado, em outras áreas da economia e do trabalho, profissionais se fortalecem e se preparam com estudos e mudança de mentalidade para preencher estes espaços que estão ficando vagos e os novos que estão surgindo.


Aprender sobre empreendedorismo, sobre mudança de mentalidade, sobre liberdade econômica e geográfica, sobre infonegócios, sobre educação financeira, sobre sistemas de distribuição e consumo inteligentes são apenas alguns dos novos caminhos que se abrem e se fortalecem.

Quem ficar de fora, quem parar de aprender e não abrir a mente, poderá enfrentar sérias dificuldades, tanto no mercado tradicional como no mercado que se revoluciona e se reinventa.

As transformações são irreversíveis, o enfraquecimento do mercado varejista tradicional é visível e este processo tende a ser acelerado pelo avanço rápido de novas tecnologias. Nos períodos de natal, por exemplo, no Brasil, as vendas pela internet têm superado as vendas nos shoppings.

É preciso ficar atento às novas oportunidades e ir se preparando, adquirindo conhecimento, viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes, aprender outros idiomas, dominar tecnologias, desenvolver habilidades e, acima de tudo, preparar-se para a solução de problemas com criatividade, em conjunto e cooperação.

Os bens mais valiosos que se pode adquirir atualmente são:


- Uma rede de relacionamentos sólidos.
- A habilidade de pôr conhecimentos em práticas na solução de problemas em cooperação.

Então? Você vai pegar esta onda ou vai ficar só boiando?

Liberte-se.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Muito do mesmo empobrece


Você acha que uma pessoa poderia comer só arroz a vida toda? 


Talvez até sobrevivesse por um tempo, mas o organismo sentiria falta de outros elementos que o arroz não tem e ficaria fraco, provavelmente adoeceria.

Com a terra também acontece o mesmo, plantar sempre a mesma cultura no mesmo lugar empobrece a terra, por isso é necessário enriquecê-la com fertilizantes ou intercalar as culturas.

E se uma pessoa passasse a vida toda só se alimentando de enlatados?


Já pensou?


Em algum momento o organismo também reclamaria por algo diferente e natural, com vida, como frutas, verduras, saladas, grãos, tirados da terra e preparados, sem conservantes e processos químicos.

Com nossa cognição acontece algo parecido, se alimentarmos nossa mente só com informações enlatadas, processadas, tratadas, ela empobrece, pode se enrijecer e até retroceder.

Eu nunca tinha feito parte de um grupo de whatsapp, principalmente de caráter político, e há alguns meses fui convidado para fazer parte de um e aceitei, como experiência.

O que vou dizer não está direcionado a nenhuma ideologia, nem de direita nem de esquerda e tampouco se restringe a grupos políticos, mas se estende a todos os tipos de grupos, principalmente de whatsapp, porque também participei e observei outros grupos, de negócios, por exemplo.

Não é uma crítica à tecnologia nem ao whatsapp nem às pessoas nem às ideologias.

Trata-se de um alerta com relação ao processo, como as coisas acontecem e como são consumidas, de acordo com o que tenho observado durante alguns meses.

Não se trata de resultado de pesquisa científica, este é um artigo livre em que convido você a refletir comigo.

Em um artigo anterior eu expliquei, aí sim, como professor de Português, o que ocorre com nossa mente quando lemos.

Baseando-me nas informações sobre leitura e cognição e nas observações e reflexões que tenho feito, posso afirmar que grupos de whatsapp específicos trazem muito do mesmo.

Você mesmo já deve ter percebido isso, como somos bombardeados nestes grupos com postagens incessantes e repetitivas. Muito do mesmo.

Além disso, são informações enlatadas, tratadas, trabalhadas, com tom sensacionalista, com intensão de causar impacto e a aderência da atenção e da convicção.

Uma frase, uma notícia, um pensamento, uma visão ou ideia repetida muitas vezes, exposta à nossa apreciação muitas vezes,  é inevitavelmente assimilada como uma verdade ou convicção, mesmo que seja um absurdo.

E aí entra a ideia do muito do mesmo, que empobrece, ameaça a saúde e o pleno funcionamento do corpo, ou neste caso, da mente.

Comparável a alimentar o corpo por anos e anos somente com enlatados. Mas isso a gente não faz. Fazemos com a mente talvez porque não sabemos como funciona ou não nos damos conta dos efeitos.

Veja se acontece isto com você.


Se a gente está em um grupo destes, durante o dia ouve os sinais de novas mensagens ou o telefone vibrando constantemente. Se estamos impossibilitados de olhar, quando vamos ver tem dezenas de mensagens em um grupo destes. E elas rodam quase que 24 horas por dia, 7 dias da semana.

Então chega um momento em que a gente vai olhar e passa rápido por algumas, para um pouco mais em outras, algumas a gente lê, alguns vídeos, geralmente os mais curtos e simples, a gente assiste. Mas geralmente não há muito o que ler, são manchetes, textos curtos, vídeos, cores, áudios dramáticos, chamadas do tipo bombástica.

Não é assim?

 E se há um link para uma pesquisa mais completa, por falta de tempo muitas vezes a gente nem vai conferir, ler, refletir, ponderar. E muito menos pesquisar outras matérias, documentos oficiais, opiniões diferentes para poder só então formar uma opinião. O imediatismo, somado a outras questões, nos faz engolir rápido o que passa diante dos nossos olhos.

E, com fome, com pressa, engolimos o enlatado rapidamente, sem nem perceber ou pensar no que estamos fazendo.

Os efeitos vão se acumulando, se somando e nossa cognição empobrece por falta de vitaminas, de leitura mais completa, complexa, reflexiva, por falta de pensar mesmo.

Isto não é uma crítica, não aponta culpados nem culpas, é apenas uma constatação e uma reflexão.

Não significa que não podemos consumir enlatados, só não podemos consumir somente enlatados desta forma como descrevi. E se assim o fizermos, não devemos oferecer aos outros, porque faz mal.

Portanto, é bom lembrar que as redes são feitas para enredar, para aprisionar, não para libertar.


Assim é a teia de aranha e a rede de pesca.
E até mesmo a rede de dormir, tão gostosa, também pode enredar se não soubermos utilizá-la com ponderação. Não é mesmo?

Pense nisso.

E cuide-se. 

Liberte-se.





domingo, 10 de março de 2019

Verdades inconvenientes


Inconvenientes geralmente são as verdades dos outros.


A nossa verdade geralmente é a única que presta. E é quase natural ao homem pensar deste jeito. Mas viver em sociedade se baseando sempre em convicções deste tipo pode ser perigoso.

Pode existir uma verdade única?

Sim, pode.

“O homem respira”.
Esta poderia ser uma verdade única.

Embora eu não duvide de que alguém possa ter uma explicação diferente, pois não sou um cientista da biologia e prefiro sempre deixar espaço para o novo, o surpreendente, aquilo que eu não imaginei e não conheço.

Mas existem aquelas verdades que são verdades vistas do meu lugar e não são verdades do ponto de vista do outro.

Imagine que estamos eu e você de frente um para o outro e eu escrevo no chão uma expressão, que olhando do seu lado você a vê assim:
I + XI = X
Se eu perguntar a você se esta expressão é verdadeira, você vai responder que não, que 1 + 11 não é igual a 10.

Mas se você vier do meu lado e olhar a mesma expressão a verá deste jeito:
X = IX + I
E agora, do meu ponto de vista, a expressão é verdadeira.

Este é somente um exemplo que tomei emprestado do livro Origem, do Dan Brown, para demonstrar que algumas vezes existe a nossa verdade e a verdade do outro, as duas igualmente dignas de respeito.

“Às vezes só é necessário mudar a perspectiva para enxergar a verdade da outra pessoa.” (Professor Robert Langdon, personagem de Dan Brown)

Agora imagine um país qualquer, dividido em dois grupos, o grupo A e o grupo B. Cada grupo é formado, digamos, por 40 milhões de pessoas.

O grupo A olha para o grupo B e afirma que está vendo um grupo de pessoas erradas. O grupo B olha para o grupo A e diz que está vendo um grupo de pessoas erradas.

Cada um dos lados está convicto da verdade e não tem nenhuma dúvida do que está vendo. Porém elas são opostas e não tem como coexistirem. Se um lado estiver certo, o outro estará errado.

Você acha mesmo possível que apenas um destes grupos esteja totalmente certo e que o outro esteja totalmente errado?

A situação pode ser vista de outra maneira?

Por que 40 milhões de pessoas pensariam da mesma forma e outros 40 milhões de pessoas também, sendo as opiniões contrárias, opostas?

Alguém deve estar errado nesta história e alguém deve estar certo nesta história.

O problema é que generalizamos o erro e particularizamos as verdades. O erro está sempre nos outros e a verdade sempre do nosso lado.

Um erro de um deles é o erro de todos e um único acerto do nosso lado é o acerto de todos nós invariavelmente, irrestritamente.
E baseamos a nossa verdade em simples convicções. 
O que não é uma atitude muito inteligente, não é mesmo?

As coisas não funcionam deste jeito. Há erros e acertos, verdades e inverdades, em tudo e em todos, não importa quão grandes sejam as nossas convicções.

Uma atitude que pode ser mais adequada nestes casos é considerar sempre a possibilidade de que pode haver outras verdades, desde outros pontos de vista, múltiplos.

Então muda-se a perspectiva para conhecê-las e só depois optamos, se é que é necessário optar por uma só visão. Ainda assim não parece ser necessário demonizar todas as outras perspectivas.

Poderia alguém afirmar então que o homem não respira?

Sim, poderia.

E por este motivo ele deve ser demonizado?

O outro é obrigado a concordar com meu ponto de vista ou com o ponto de vista de um grupo?

Eu posso afirmar que o homem não respira e ainda assim viver bem e deixar viver bem?

O que vale mais, a imposição da minha verdade ou a liberdade e a vida?

No âmbito pessoal é mais importante cada um encontrar o seu caminho, de forma a viver da maneira mais prazerosa possível, do seu jeito, sem impor ao outro o seu caminho, sem se deixar afetar pelo outro e ainda assim sabendo que precisa do outro, da convivência, da harmonia e da cooperação.

Liberte-se da opinião do outro e da necessidade de impor a sua. Proteja o seu direito ao respeito e o do outro também. Só podemos exigir do outro o que também parte de nós.

O mundo se abre cada vez mais e de forma mais rápida em múltiplos caminhos e maneira de viver, um processo evolutivo e inevitável, se não aprendermos a respeitar e a nos respeitar viveremos em conflitos, medos e prisões.

Talvez não tenhamos uma vida pessoal, particular, mas tenhamos recebido a dádiva de passar pela grande vida por um curto momento, sem nem mesmo compreendê-la totalmente e muito menos sem o direito de defini-la ou impor verdades aos outros.

Primeiro a decisão pessoal pelo respeito, depois os códigos que possibilitam uma convivência social pacífica.

E para terminar este artigo, mais uma citação que peço emprestada a Dan Brown.

Oração pelo futuro
Que nossas filosofias sigam no mesmo passo das nossas tecnologias. Que nossa compaixão siga no mesmo passo dos nossos poderes. E que o amor, e não o medo, seja o motor da mudança. (Edmond Kirsch, personagem de Origem, de Dan Brown).

Liberte-se.



sexta-feira, 8 de março de 2019

COMO DESENVOLVER O HÁBITO E O GOSTO PELA LEITURA


Quer desenvolver o hábito de ler?
Quer ajudar alguém a tomar gosto pela leitura?
Então leia este artigo.

Vou começar contando como eu fazia para que meus alunos tomassem gosto pela leitura.
Certa vez a mãe de um aluno meu me disse que o seu filho não gostava de ler, mas ela sabia da importância de se ter o hábito da leitura.  
Então ela me perguntou o que poderia ser feito e se eu poderia ajudar a fazer do rapaz um leitor.
Primeiro eu perguntei se ela e o esposo tinham o hábito de ler e se o garoto os via lendo com frequência. Ela respondeu que não.
Então eu disse que este deveria ser o primeiro passo, o exemplo. Não dá para exigir da garotada o que não se faz nem como pais nem como professores.

As palavras até convencem, mas o exemplo arrasta.

Chamei o garoto para uma conversa e perguntei a ele o que ele mais gostava de fazer fora da escola, que não tivesse relação com os estudos, quais seus Hobbies, suas paixões.
O garoto me respondeu, entre outras coisas, que adorava futebol, mas principalmente gostava de acompanhar os campeonatos europeus.
Passou uns dias e depois de alguma pesquisa eu encontrei um livro do escritor gaúcho Moacyr Scliar (in memoriam), A colina dos suspiros.
Um adolescente com o perfil do meu aluno jamais escolheria este título para ler, mas foi justamente com este livro que aquele jovem começou a gostar de ler.
Moacyr Scliar foi um escritor brasileiro de renome, membro da Academia Brasileira de Letras, e A colina dos suspiros é um livro bem humorado sobre a paixão por futebol.
Chamei meu aluno, dei o livro de presente a ele e pedi que ele começasse a ler e depois me desse a sua opinião.

No dia seguinte, a minha colega, professora, mãe do garoto, disse-me que ele começou a ler o livro e não o largou mais. Em poucos dias o rapaz devorou o livro e adorou, pediu mais.

E foi assim que consegui ajudar a desenvolver o gosto pela leitura naquele jovem que dizia que odiava ler.
Fiz o mesmo com muitos outros jovens avessos à leitura, sugerindo livros que tinham a ver com eles e gradativamente, de acordo com o amadurecimento deles como leitores, ia sugerindo literatura mais rebuscada.
Mas, um detalhe, eu também lia e então podia conversar com eles sobre as histórias, como se conversa de forma animada e informal sobre um filme que gostamos.
Muitos diziam que odiavam ler porque nunca tiveram uma experiência agradável com a leitura, não tinham o exemplo dos pais e a escola não ajudava muito, transformava toda leitura em trabalho, com prazo, notas e imposição de livros ótimos para leitores experientes, mas péssimos para leitores iniciantes, em formação.

Para desenvolver o hábito e o gosto pela leitura.

- Comece com livros que tenham a ver com você, com seu jeito, com a sua época, com suas paixões e gostos.
- Leia pelo menos algumas páginas todos os dias.
- Procure não tornar uma obrigação, não force a barra.
- Tenha paciência, ler não é como assistir a um filme ou navegar na internet, não tenha pressa, não seja imediatista.
- Sente muito sono quando começa a ler? Tente ler um pouco assim que acorda, é menos provável que sinta sono.
- Leia em posição confortável, de preferência em local silencioso, pelo menos no começo.
- Tenha sempre um livro em andamento.
- Se você perceber que não tem paciência para ler romances, que são histórias mais longas, tente livros de contos ou crônicas, são mais curtos.
- Começar pelo gênero crônica pode ser uma boa ideia, já que são narrativas geralmente mais divertidas e ambientadas no cotidiano.
- Seja persistente, não desista, leia devagar, mas leia, não abandone, chegará um momento que será um prazer ler.
- Se precisar, se for o caso, peça ajuda a um profissional, como um professor de literatura, ou um amigo ou amiga que seja um leitor mais experiente.
- Se você não tem tempo para ler, leve o livro para o banheiro, lei no ônibus, no metrô, na folga do almoço, nos intervalos que der, mas leia.

E se você já é um leitor e quer desenvolver o gosto pela leitura em alguém, como filhos ou alunos, comece dando o exemplo, deixe-os ver você desfrutando da leitura, como um hábito seu.
Comente, converse, mostre como está divertido, interessante e curioso o livro que você está lendo no momento.
Ler liberta.
Liberte-se.